Relatos

Nascimento do Miguel - Daphne Camargo e Alessandro Oliveira

Demorei sete meses para escrever esse relato de parto, não por falta de tempo ou por preguiça (amo escrever), acho que no fundo eu tinha medo de esquecer alguma parte ou não conseguir passar em palavras tudo aquilo de tão intenso que eu senti naquelas quase 15 horas de tp.

Creio que a melhor forma de começar a te contar essa maravilhosa história seja me apresentando
Me chamo Daphne, tenho 27 anos e dois maravilhosos presentes confiados por Deus a mim.

A primeira se chama Manoela Maria de sete anos a ariana com a personalidade mais forte que eu já conheci!

O segundo se chama Miguel com sete meses o canceriano mais calmo que possa existir.

E tudo começa com ele, já que da gravidez da minha primeira filha não tinha nem noção da grandeza que poderia ser um parto só sabia o que me falavam ou seja que doia muito e que eu não tinha que saber nada disso até a hora do parto, então esperei até a tal hora e quando chegou mal senti as primeiras contrações já me mandaram para um cesárea ou como diz minha Doula uma
desnecesárea, o que foi dito é que eu não conseguiria ter um parto normal por falta de passagem o que pra mim parecia ser normal já que sou bem magrinha e eles é que entendiam então quem era eu pra dizer alguma coisa.

Minha recuperação foi péssima, na hora do parto simplesmente não senti nada mais depois parecia que ia morrer e o pior de tudo só pude ver minha filha bem depois do parto não fui a primeira a carrega-la (uma dor que trago comigo até hoje).

O tempo passou e eu já não pretendia ter mais nem um filho, mais isso quem decide não sou eu, então depois de seis anos Deus da um novo rumo pra minha vida: ser mãe de um menino!

Já na primeira consulta com a Obstetra quando ela passa as informações do bebê como dpp e etc.. ela me diz:

"VOCÊ VAI TER UMA CESÁREA"

Eu não disse nada mais achei estranho que pelo menos ela não quisesse saber minha opinião...
Mais como eu fiquei grávida junto com a minha patroa, eramos duas grávidas no ambiente de trabalho, então era inevitável as conversas sobre esse mundo inclusive o parto e aí surgiu o parto humanizado.

Comecei meio receosa com muitas duvidas e indo à encontros e cada dia com mais vontade desse momento chegar, até que eu me decidi iria ter um parto normal (sem comunicar para minha médica).

Eu tinha planejado tantas coisas para aquela tão esperada hora estar com pessoas que amo ao meu lado, ter minha doula comigo ficar quase todo o tp na minha casa.........

Mais tudo muda e a única coisa e que foi a mais importante foi ter minha doula comigo todas as quase 15 horas de tp!

Eu me lembro que era la pelas dez da manhã de uma quarta do dia 24/05/15 quando eu senti as primeiras dores que vinham principalmente das costas e eu pensei será que chegou o dia estava de 38+6 semanas e achava que chegaria até as 40 semanas....

Que nada. O menininho adiantou, então depois de não achar uma posição que eu ficasse confortável resolvi ligar para a Samara que logo chegou em casa e já me levou para o chuveiro, minha irmã preparava um suco de mamão a pedido da Sa pois eu não havia comido nada e logo meu irmão e minha cunhada chegaram também, ai eu já sabia que estava em tp.

Sabe, quando tem muita gente cuidando de você, pode saber chegou a hora.

As contrações ficavam mais fortes mais ainda estavam irregulares então não tínhamos certeza se estava em tp.

Bora para o hospital o último lugar que eu queria estar mais acabaram sendo as próximas paredes que eu veria. Chegando lá vai para o bendito exame de toque, estava com 1cm então ele pediu o exame de cardiotoco onde fora confirmado pelas contrações que se iniciara meu tp, já me acalmei porque queriam que me mandassem embora pra casa mais não foi o que aconteceu...

Pedi a enfermeira que por favor chamasse minha acompanhante para ficar comigo, então ela disse que ia chamar meu marido, eu disse que não, que queria a moça que estava com ele.

E lá fomos as duas caminhar por aquele corredor que parecia não ter fim, entre comer alguma coisa escondida (já que esqueceram de fazer a minha internação) e emprestar a blusa dela porque estava com frio.

Era um exame de ultra-som (ai foi que me assustei meu bebezão já estava com mais de 3,500kg e aproximadamente uns 48cm), uma agachada, uma rebolada acompanhada de inúmeras massagens na minha costas, o que alivia e muito as dores, tudo pra ajudar na vinda dele.

Depois de umas cinco horas de caminhada e incontáveis contrações fomos para um novo exame de toque, eu achando que já estava quase nascendo, mais o médico me fala que ainda estava com 1cm me deu uma vontade enorme de chorar pensei comigo "não é possível que depois de todo esforço não ter adiantado nada" detalhe o médico que me examinara dessa vez já era outro pois havia mudado o plantão.

Então calmamente ele me disse você não esta em tp quer um remédio pra dor? Naquela hora minha cabeça começou a girar de tanta dor e nervoso e eu disse à ele que o outro médico já tinha me dito que eu estava em tp pois até tinha me mostrado o exame e como as contrações estavam.

Ele se irritou e me disse "não é porque ele disse que você está!"

Fiquei tão frustrada naquele momento que quando ele tornou a perguntar se eu queria o remédio eu disse que sim. Logo a enfermeira começou a colocar a bolsa de remédio na minha veia eu perguntei o que era e ela disse buscopam eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo e la vinha mais uma contração nessa hora estava sozinha pois nessa parte não permitiam acompanhantes.

Eu olhava aquilo pingando tão devagar e só pensava na dor e no que eu tinha que fazer quando ela viesse, agachar e rebolar e foi isso que eu fiz sem nem pensar direito, sem nem me importar se o remédio ia sair do meu braço.

Até que não tinha descido nem um terço da bolsa minha paciência já tinha se esgotado eu pedi que por favor ela tirasse aquilo do meu braço e chamasse o médico.

Ele não gostou nada e tornou a fazer o exame de toque desta vez estava com 3cm eu olhei pra cara dele como quem diz; quem mesmo que você disse que não estava em tp?

E foi ai que ele com a mão dentro de mim pediu que eu não me assustasse que ele iria fazer algo pra me ajudar.

Não consigo nem descreve o tamanho da dor que senti mais permaneci calada fiquei com medo de ser pior se falasse algo, quando terminou o tal procedimento ele me disse que tinha ido para 7cm.

Não sabia se chorava ou se ria e fui chamar minha doula pra continuarmos juntas.

Já havia despido minhas roupas e sabia que estava perto de eu ver meu pequeno o tempo todo falava come ele, pra vir sem medo que eu já estava pronta.

Fomos para a sala de pré-parto onde a dor e a respiração estavam quase que na mesma intensidade!

A Sa então perguntou se eu não queria ir para o chuveiro, eu aceitei, lá minhas pernas já não queriam sustentar meu corpo e eu havia chegado na tão falada PARTOLÂNDIA, onde você não sabe nem onde está e só quer que a dor acabe.

Eu falava pra ela: "Sa eu não vou conseguir..." e ela com a voz mais doce do mundo me dizia que eu ia sim conseguir eu abri os olhos para ve-la só vi seus óculos embaçados da fumaça do chuveiro e ela quase que toda molhada pois já estava me segurando dentro da água.

Ao ver toda essa dedicação e carinho todo esse amor humano eu soube eu tive certeza eu iria conseguir!

E a leoa dentro de mim gritou. Literalmente em alto e bom som que tinha surgido e iria em frente!

Saímos do chuveiro e com certa dificuldade eu fui para a bola de parto na qual eu já não tinha mais a noção do tempo já que as dores eram quase que ininterruptas.

Eu perguntei para a Sa como eu saberia qual seria a hora de empurrar e ela disse que eu saberia e ao som de "Reconhecimento - Isadora Canto" eu senti uma vontade enorme de fazer força para baixo.

Eu estava confiante e vendo aquele sorriso de apoio do meu lado eu tinha mais força e vontade de ver seu rostinho.

Após algumas empurradas ela me avisa que a cabeça havia saido!!!!

Mal podia acreditar estava tão feliz que a essa hora não ligava mais para a dor.

A enfermeira então me pediu que fosse para a sala de parto e eu sem entender o porque.
E eu não sabia como ia com ele no meio das pernas já e ninguém me ajudou a ir pra lá, só a Sá me amparava. fiquei com muito medo essa hora. Fui mais só pedia para que a Sa não deixasse que me cortassem (fizessem a episiotomia)

Mais algumas respirações longas e com toda força do fundo do meu ser meu príncipe NASCEU!!!

Às 00:43hrs do dia 25/06/15 com 3,575kg e 50cm Miguel veio ao mundo direto para os meus braços com todo amor do mundo!

Num parto maravilhoso, apesar falta de empatia de alguns profissionais envolvidos, laceração de primeiro grau e muito carinho e compreensão da minha querida Doula Samara.

Eu só conseguia agradecer a Deus por me sustentar nesse momento tão lindo que Ele mesmo me proporcionou.

Olhei para o lado e lá estava ela minha Doula que em nenhum momento me desamparou com lágrimas nos olhos e eu só conseguia agradecer e agradecer!

Logo meu marido entrou para conhecer o novo integrante da família aquele que hoje é a alegria da casa!

E relembrando e revivendo todo esse dia eu não mudaria nada nem um minuto e com certeza faria tudo de novo!

Parir meu filho da forma mais natural que eu pude mudou completamente minha vida, hoje eu sou mais mulher, mais mãe e muto mais feliz!!!

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